Sentimento de culpa ou senso de responsabilidade?

Pesquisadores da Universidade Washington, de St. Louis, concluíram que altos níveis de culpa na criança, podem gerar depressão, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno bipolar, quando adultas. Os estudos também revelaram que é possível que exista correlação entre culpa na infância e mudanças físicas no cérebro que podem desencadear doenças mentais. 

Estas são as consequências mais alarmantes, contudo nos deixam um alerta importante: precisamos distinguir em nosso modo de agir a diferença entre sentimento de culpa e senso de responsabilidade, pois as crianças não estão preparadas para fazê-lo. 

Sabemos da importância da disciplina e da necessidade de orientar as crianças para que reconheçam as consequências dos seus atos. Porém, isto se torna um grande problema, na medida em que os pais tendem a se utilizar da "culpa" como mecanismo de responsabilizar seus filhos.

Tornar-se responsável é comprometer-se com as consequências dos seus atos, sentir-se culpado é sentir-se acusado de ter provocado um forte prejuízo a alguém. Reconhecer sua responsabilidade gera autoconfiança, capacidade de se autocorrigir. Sentir-se culpado, gera insegurança e dificuldade de reagir, já que a culpa sempre vem acompanhada do estado de rejeição e de negação. 

A responsabilidade está no campo da razão, da racionalidade, da decisão de assumir atos praticados. A culpa é a emoção interna que vem acompanhada de vergonha e constrangimento, gerando, na criança, a sensação de que fez muito mal a alguém que ela ama. A consequência imediata desse sentimento é a criança achar que é má, gerando vitimização, remorso, autocensura, raiva de si, podendo chegar à "autopunição". A reação mais provável é ela buscar meios de se machucar, mordendo-se, jogando-se no chão ou batendo a cabeça na parede, entre outras reações de agressividade e impulsividade. 

Um dos fatores que desencadeiam um forte sentimento de culpa nas crianças é a separação dos pais. Por acreditar que é culpada pelo rompimento de vínculos na família, a criança começa a alimentar a cada dia que passa, a percepção de que ela foi a razão da perda dessa relação passando a sentir raiva de si mesma. Mas, qual é o caminho mais eficaz de evitar a substituição da responsabilidade pela culpa?

1. Evite se utilizar das chantagens e, principalmente, das cobranças de gratidão do seu filho;

2. Evite pressioná-lo com altas expectativas;

3. Evite fazer com que seu filho se sinta "em débito" com você. 

A criança que carrega o sentimento de culpa não se sente merecedora de momentos felizes e, inconscientemente, torna-se autodestrutiva, presa ao passado e um futuro adulto carregado de crenças negativas sobre si. Um dica para os pais: troque a culpa por responsabilidade e, ao invés de dizer ao seu filho: "você deveria sentir vergonha do que fez", diga-lhe: "filho, você deve assumir a responsabilidade pelo ato que praticou e observar exatamente o que deve fazer para corrigi-lo, porque isso vai fazer você se sentir leve e confiante na sua capacidade de aprender com o erro e não repeti-lo"... 

A responsabilidade traz emoções positivas. A culpa é uma emoção negativa. Pense nisso!


Beatriz Chaves