COMO ENTENDER MEU FILHO

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COMO ENTENDER MEU FILHO

Como funciona a cabeça de uma criança? Como entender seu filho de maneira que a comunicação entre vocês melhore e, consequentemente, a sua relação?

Estudos recentes comprovam que o nosso conceito de criança precisa ser ressignificado para conseguirmos nos conectar com elas e estabelecer uma comunicação que funcione. O modo como fomos educados é muito distante da forma como o pensamento das crianças funciona hoje em dia, o que pode levar a um grande conflito de gerações e culturas.

Comunicar é evitar os conflitos com essa nova cabecinha que tem deixado pais e mães sem fôlego devido à capacidade de questionar, argumentar e resistir aos comandos que recebem. Elas não seguem mais "às cegas", como fazíamos. Por quê?

A infância não é uma mera fase passageira que deve ser ignorada. Ao contrário, sabe-se que ela é a parte mais profunda da condição humana, a base para toda uma existência.

A criança é um ser que, antes de aprender o conhecimento sistematizado, já possui extraordinários poderes de imaginar e de criar. Mesmo antes de ir à escola formal, ela já possui uma capacidade exponencial de aprendizagem, de desenvolver habilidades e até altas habilidades.

Você pode entender melhor seu filho e dar um salto na comunicação entre vocês ao compreender que ele tem sua própria lógica e que ele te escaneia e aborda, diariamente, orientado por essa lógica. Entender essa lógica é reconhecer que seu filho faz dedução, indução, levanta hipóteses, faz inferências e elabora um monte de operações intelectuais que dizem pra ele o que é verdadeiro ou o que não. E - pasme! - ele faz isso desde bebê!

Essa lógica é tão elaborada que, quando as coisas não se encaixam, ele se irrita, sai do controle e fica agressivo. Isso porque ele precisa entender que aquilo faz algum sentido! Isso não significa que ele esteja fazendo birra ou tentando agredir você. É como se estivesse clamando: "Socorro, alguém me ajuda a entender isso que você tá fazendo, porque não faz sentido pra mim”!

Estamos falando sobre coerência entre punição e consequência. Como em uma doença, se focarmos apenas no sintoma, nunca descobriremos a real causa da enfermidade. Quando o efeito do remédio passa, o sintoma volta a se manifestar. Por isso, ignorar o verdadeiro motivo dos sintomas, além de não trazer a cura, pode agravar a doença até um estado crítico.

Mas, se investigarmos e descobrirmos a causa, estaremos indo à origem e, por fim, será possível eliminar a doença.

Da mesma maneira, às vezes, uma criança pode manifestar comportamentos sintomáticos como birras, crises de choro, agressividade, desobediência, apatia, desinteresse e outros modos de agir que podem trazer aos pais um sentimento de incompreensão e impotência.

Ao punir pelo sintoma, estamos impedindo a criança de alcançar a maneira certa de enfrentar as consequências naturais de seus atos.

Uma boa solução é: primeiro, não focar no sintoma, mas investigar a causa do problema; segundo, evitar a punição e permitir que ela enxergue a consequência. Quando existe nexo entre o ato e a "punição", a criança aprende a consequência e não entra em crise, porque não tem sua autodefesa atiçada.

Dessa maneira, a criança entende as razões pelas quais sua ação foi inapropriada. O resultado são pais e filhos se comunicando melhor e entendendo melhor uns aos outros.