Como preparar meu filho para o futuro?

Como preparar meu filho para o futuro?

Muitos pais preocupam-se em preparar os filhos para o futuro. Não existe nada de errado nisso, mas não podemos esquecer que a infância e adolescência deles está acontecendo agora e que esse é um tempo curto e único, que não volta mais.

Então, como posso ajudar meu filho a ser feliz aqui e agora?

A primeira coisa a se ter em mente é que o mundo de hoje é diferente do que vivemos na nossa infância. É um mundo de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, também conhecido como mundo VUCA (em inglês, V = volatility, U = uncertainty, C= complexity e A = ambiguity). Compreender o mundo VUCA nos ajuda a perceber esse choque de gerações e por que isso acontece.

Por isso, é necessário observar essas 4 peculiaridades e o impacto que elas causam diretamente nas relações das crianças dentro e fora do seu círculo familiar e escolar:

1) Um mundo volátil

A volatilidade diz respeito à mudança rápida de um estado para o outro, de forma imprevisível.

Por causa da velocidade que as coisas se desenrolam, nem sempre o que é certo hoje continua valendo para amanhã.

O equilíbrio seria aprender a resistir para saber lidar com tamanha instabilidade.

2) Um mundo incerto:

Um bom exemplo sobre a incerteza que temos vivido é observar como empregos outrora consolidados - como jornalista em uma revista ou jornal - hoje perdem espaço para novas formas de mídia, como sites e portais de notícia, canais de vídeo ou até mesmo blogs e outras redes sociais.

Os resultados desses processos emergentes muitas vezes são desconhecidos e imprevisíveis, pois estamos lidando com algo nunca antes visto.

Perguntar a uma criança "O que você quer ser quando crescer?" é como dar um tiro no escuro: você não faz ideia do que vai acertar.

Um bom remédio para lidar com essa incerteza é trazer segurança para certas áreas da vida do seu filho, onde ele saiba que, ao menos ali, as coisas são previsíveis.

3) Um mundo complexo:

Um dos grandes conflitos entre as gerações dos pais e filhos hoje em dia é fazer com que esses adultos entendam que o mundo em que vivemos é complexo e interconectado sem que, necessariamente, isso represente algo ruim.

Muitas verdades tidas por absolutas caem por terra em um mundo complexo.

As coisas não se desenrolam de maneira linear, assim como nossa forma de pensar. Isso diz respeito também à complexidade.

4) Um mundo ambíguo:

Ambiguidade diz respeito a entender que para tudo existe mais de uma interpretação e que os fatos não são explicados somente pela lógica de causa e efeito. Essa ambiguidade pode causar uma ausência de padrão e de modelos rígidos. As verdades deixam de ser absolutas e passam a ganhar diferentes versões.

Daí nos deparamos com um problema muito comum dentro das escolas: nossas crianças e adolescentes parecem já ter nascido com o app atualizadíssimo, enquanto boa parte das escolas ainda funcionam no modo analógico.

Devido à ambiguidade desse mundo, eles entendem que nada é tão simples assim e podem questionar - ou até mesmo rejeitar - os modelos tradicionais de ensino. Por isso, é comum encontrar crianças e adolescentes mostrando resistência ao realizar deveres de casa, estudar para as provas ou participar dentro de sala de aula.

Todos nós, que vivemos neste mundo Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo, desfrutamos dos seus benefícios, mas também sofremos suas consequências de uma maneira ou de outra. Algumas delas são:

  • Ansiedade e angústia;

  • Superexcitabilidade, que pode levar à hiperatividade;

  • Comportamento opositor;

  • Dificuldades de se adaptar a regras e ambientes novos;

  • Impulsividade;

  • Reatividade e agressividade como mecanismos de defesa.

Compreendendo essa ruptura e entendendo as consequências, podemos facilitar o mundo atual para as crianças e trazer leveza na relação entre pais e filhos.

O PAPEL DOS PAIS

A  partir daí, precisamos entender que os filhos não podem ser um projeto dos pais. Que não podemos projetar nosso sucesso - muito menos nossas frustrações! - em cima deles. Porque, na maioria das vezes, essa projeção não vai ser compatível com quem a criança realmente é.

Nosso papel não é ser uma força dominante e autoritária que acaba por destruir a motivação pessoal dos nossos filhos. Estamos aqui como guias, como responsáveis por conduzir nossos filhos durante sua jornada de descoberta.

Por isso, é necessário ter em mente que:

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  • Antes de mais nada, é preciso estar em paz com suas escolhas e bem consigo mesmo. É aquela velha história de colocar a máscara de oxigênio em si próprio para, só então, cuidar da criança ao seu lado.

  • Precisamos conhecer o perfil de personalidade e comportamento de cada um deles e permitir que eles façam suas próprias escolhas, de acordo com suas preferências.

  • O foco da criação precisa estar mais na comunicação e no relacionamento e menos na instrução e no controle.

  • Trabalhe uma escuta ativa, o que significa estar realmente disposto a escutar as inquietações e sentimentos do seu filho, sem julgamentos ou censuras.

  • Ensine à criança o conceito de atenção plena, que é estar presente no momento, desfrutando daquilo que acontece agora, sem preocupar-se com o que virá depois.

Essa é a melhor maneira de preparar seu filho para o futuro, permitindo que ele se desenvolva de maneira consciente para que, quando crescer, torne-se um adulto autoconsciente, realizado e feliz.